O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, esteve esta tarde em Águeda, numa visita institucional centrada na avaliação da resposta do concelho às cheias e na eficácia dos investimentos realizados na gestão dos cursos de água. A deslocação teve início com uma reunião nos Paços do Concelho, seguindo-se posteriormente uma visita técnica à zona ribeirinha do rio Águeda.
A reunião, realizada na Câmara Municipal de Águeda, permitiu ao chefe do Governo obter um enquadramento detalhado da situação hidrológica atual, das medidas preventivas em vigor e do funcionamento dos sistemas de proteção implementados ao longo dos últimos anos. No encontro estiveram presentes responsáveis do município e da Proteção Civil, tendo sido analisados os impactos das recentes condições meteorológicas, bem como os cenários previstos para os próximos dias.
Foi neste contexto que o presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, apresentou os dados técnicos que sustentam a estratégia municipal de mitigação do risco de cheias, sublinhando que o concelho passou de um território historicamente vulnerável a um exemplo de prevenção estrutural e planeamento hidráulico. O autarca explicou que, em situações comparáveis às registadas no passado, várias zonas da cidade ficariam submersas, com níveis de água que poderiam atingir cerca de metro e meio, realidade que hoje não se verifica.
Concluída a reunião, a comitiva deslocou-se à zona ribeirinha, onde Luís Montenegro acompanhou no terreno a explicação detalhada sobre o funcionamento do sistema de defesa da margem direita do rio. Através de registos fotográficos e observação direta, foi possível constatar a diferença entre áreas que, em anos anteriores, estariam inundadas e que agora se encontravam completamente secas, apesar dos elevados caudais registados.
Jorge Almeida destacou o papel determinante da barragem de Ribeiradio na regulação do caudal do Vouga, explicando que a gestão controlada das descargas tem sido essencial para evitar subidas abruptas do nível da água em Águeda. Referiu, contudo, que os afluentes do rio Águeda, como o Alfusqueiro e outras ribeiras da região, não dispõem de sistemas de controlo, o que exige uma monitorização permanente e uma forte articulação com os serviços de Proteção Civil.




















O sistema de proteção da margem direita assenta na elevação controlada do leito do rio, dimensionada para acomodar a cheia centenária de 1937, a mais elevada de que há registo. As descargas pluviais e ribeiras urbanas estão equipadas com válvulas de maré que impedem a entrada da água do rio em situação de cheia. Quando estas válvulas encerram, as águas pluviais e das ribeiras são encaminhadas para reservatórios e posteriormente bombadas para o rio, recorrendo a sistemas de bombagem de grande capacidade, apoiados por geradores autónomos preparados para funcionar mesmo em cenário de falha energética.
Durante a visita, o Primeiro-Ministro afirmou que Águeda se tornou um modelo de referência a nível nacional, salientando o trabalho profundo de gestão dos cursos de água, a preservação ambiental e a capacidade de resposta em momentos de maior pressão hidrológica. Luís Montenegro enquadrou o projeto no âmbito do desígnio nacional de gestão da água para os próximos 25 anos, sublinhando que o país não enfrenta uma escassez absoluta de água, mas sim desafios ao nível da sua gestão, armazenamento e utilização equilibrada.
O chefe do Governo destacou ainda que a intervenção realizada em Águeda demonstra como é possível conciliar a proteção das populações, a atividade económica, a agricultura e a preservação dos ecossistemas, defendendo que soluções semelhantes poderão ser replicadas noutras regiões, desde que adaptadas às especificidades de cada território.
Apesar dos resultados positivos alcançados na margem direita, o presidente da Câmara reconheceu que a margem esquerda do rio continua a apresentar fragilidades. Jorge Almeida revelou que está agendada, para o final do mês, uma reunião com os projetistas responsáveis pelas intervenções já executadas, com o objetivo de estudar uma solução técnica específica para essa zona, cuja configuração urbana e hidráulica é substancialmente diferente. O autarca mostrou-se convicto de que será possível encontrar uma resposta eficaz, reforçando a ambição de fazer de Águeda um exemplo nacional de prevenção.
A visita serviu também para reforçar o apelo à prudência e ao cumprimento das orientações das autoridades, numa fase em que se mantêm riscos elevados noutras bacias hidrográficas do país. Luís Montenegro sublinhou a importância da colaboração das populações e garantiu que o Governo continuará atento, no terreno, acompanhando a evolução da situação e disponibilizando os meios necessários sempre que se justifique.
No final, ficou a mensagem de que o investimento feito em Águeda está a produzir resultados concretos, permitindo que, mesmo após semanas de precipitação intensa, a cidade mantenha a normalidade. Um sinal claro, segundo o autarca e o Primeiro-Ministro, de que a aposta na prevenção e no planeamento estruturado é o caminho a seguir face aos fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes.
