A construção de um muro estará na origem de um conflito familiar que culminou, este domingo, com a intervenção da Guarda Nacional Republicana (GNR) e o reboque de uma viatura em Vale Domingos, no concelho de Águeda.
Paulo Oliveira afirma ter construído um muro na sua propriedade, vedando um acesso que, segundo garante, não corresponde a qualquer via pública, mas sim a uma entrada privada para a sua residência e terreno adjacente. O proprietário sustenta que efetuou comunicação prévia à Câmara Municipal de Águeda, assegurando ter autorização para a obra e para a colocação de um portão.
Segundo o próprio, a situação terá escalado quando uma patrulha da GNR se deslocou ao local para o abordar relativamente à alegada obstrução de um caminho. A viatura da autoridade terá sido estacionada junto ao portão de entrada da propriedade, impedindo o acesso.
“Pedi para retirarem a viatura porque estava em terreno privado e eu queria entrar na minha propriedade”, relatou. Face à recusa, decidiu estacionar o seu veículo no interior do terreno, atrás da viatura da GNR, bloqueando-a.



Recusa de identificação e escalada da tensão
De acordo com o relato do proprietário, os militares terão solicitado a sua identificação, bem como a da esposa e do filho. Paulo Oliveira recusou, alegando que se encontrava dentro da sua propriedade e que não tinha obrigação de se identificar.
O momento terá sido marcado por trocas de palavras mais acesas, com o proprietário a acusar os militares de o tentarem empurrar para fora da entrada e de terem invadido propriedade privada sem mandato judicial. Do lado da GNR, foi-lhe transmitido que não poderia bloquear uma viatura policial em serviço.
Posteriormente, uma segunda viatura da Guarda terá reforçado a presença no local, acabando por ser acionado o reboque da viatura do proprietário.
Queixa anunciada
Paulo Oliveira considera que o reboque da sua viatura configura “furto”, uma vez que o veículo se encontrava, segundo defende, dentro da sua propriedade. O habitante de Vale Domingos anunciou que irá apresentar queixa formal, ponderando fazê-lo junto da própria GNR, em Aveiro, ou na PSP.
O proprietário refere ainda que no interior da viatura se encontravam bens alimentares resultantes de compras efetuadas pouco antes do incidente, manifestando preocupação com eventuais prejuízos.
A origem do conflito estará associada a desentendimentos familiares relacionados com a delimitação do terreno. Paulo Oliveira afirma estar tranquilo quanto à legalidade das obras realizadas, garantindo que todo o processo foi acompanhado pelos serviços municipais.
O caso deverá agora seguir para apreciação pelas vias judiciais competentes.
