Outdoor da Semana da Chanfana gera críticas pela estética, mas não belisca o estatuto de Vila Nova de Poiares

O cartaz promocional da XIX edição da Semana da Chanfana, instalado em espaço público em Vila Nova de Poiares, está a suscitar críticas relacionadas com a sua estética e impacto visual. Em causa está a opção gráfica do outdoor, considerada por alguns observadores como pouco apelativa, com uma composição cromática escura e um enquadramento visual que não valoriza devidamente um dos mais emblemáticos eventos gastronómicos do concelho.

A análise ao cartaz revela uma comunicação visual pesada, com predominância de tons escuros, fraco contraste e uma imagem central pouco legível à distância, aspetos que, segundo críticos, comprometem a eficácia promocional de um evento que se quer agregador, identitário e capaz de atrair visitantes de fora do território. Num outdoor de grande formato, colocado em contexto urbano e rodoviário, a legibilidade, a harmonia de cores e o impacto imediato são fatores determinantes, e é precisamente nesse domínio que surgem as principais reservas.

Apesar das críticas à impressão gráfica e ao design, há uma convicção transversal que permanece inabalável: Vila Nova de Poiares é, por mérito próprio, a Capital Universal da Chanfana. Um título que não depende de um cartaz mais ou menos conseguido, mas de décadas de trabalho, afirmação cultural e promoção de um prato que é hoje reconhecido como um verdadeiro ex-líbris da gastronomia nacional e internacional.

Neste contexto, algumas reações públicas ao cartaz têm sido feitas com recurso ao sarcasmo, o que gerou desconforto em setores da comunidade. Há quem defenda que, num concelho assumidamente bairrista, orgulhoso das suas tradições e com uma forte identidade coletiva, a crítica deveria assumir um tom mais construtivo, aconselhador e colaborativo, em vez de recorrer a ironias consideradas pouco afáveis.

É precisamente nesse espírito que surge o desabafo de um juiz da Confraria da Chanfana, que, invocando a sua responsabilidade institucional e cultural, sublinha estar sempre disponível para ouvir opiniões, desde que estas contribuam para a valorização e defesa da cultura gastronómica local. Para este responsável, a crítica faz sentido quando aponta caminhos de melhoria, nomeadamente ao nível da harmonização cromática e da qualidade gráfica do material promocional, mas perde utilidade quando se transforma em ataque sarcástico.

A Semana da Chanfana continua, assim, a afirmar-se como um momento alto da vida cultural e gastronómica de Vila Nova de Poiares. O debate em torno do cartaz acaba por refletir o envolvimento emocional e identitário dos poiarenses com o evento, demonstrando que, mais do que uma simples iniciativa turística, a chanfana é um símbolo profundo da comunidade, da sua história e do seu orgulho coletivo.

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