Foi esta tarde, no Centro de Artes de Águeda, que o concelho deu início formal ao ano European Green Leaf 2026, numa cerimónia de elevado simbolismo institucional e forte projeção europeia, que reuniu representantes da Comissão Europeia, membros do Governo, autarcas, responsáveis de entidades ambientais, comunidade educativa e parceiros locais e internacionais.
A sessão marcou o arranque de um ano que coloca Águeda sob especial atenção da Europa, na sequência da distinção atribuída pela Comissão Europeia no final de 2024, que reconhece o percurso sustentado do município nas áreas do ambiente, da sustentabilidade, da qualidade de vida e da governação territorial responsável.
Na abertura, o presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, sublinhou o caráter excecional da distinção, considerando-a “o maior reconhecimento que Águeda, enquanto município, alguma vez teve”. O autarca foi claro ao afastar qualquer ideia de acaso: “Isto não é um brinde, não nos calhou. É o reconhecimento inequívoco de um percurso, de um trabalho consistente e continuado”.







Jorge Almeida destacou que o título de European Green Leaf 2026 representa simultaneamente orgulho e responsabilidade acrescida, numa altura em que Águeda passa a receber delegações de múltiplas cidades europeias interessadas em conhecer as práticas que estiveram na base do galardão. “Temos a obrigação de ser consequentes e continuar a afirmar Águeda como um território onde o ambiente, a sustentabilidade e a qualidade de vida são pilares essenciais da governação”, afirmou.
O presidente da autarquia frisou ainda que esta distinção não pertence apenas à Câmara Municipal, mas a todo o concelho e a todos os aguedenses. “Os olhos da Europa estão postos em nós. Esta é uma distinção coletiva e exige de todos práticas mais cuidadas e um maior sentido de responsabilidade”, referiu, lançando o desafio à população para assumir um papel ativo ao longo do ano.
Questionado sobre o significado do momento, Jorge Almeida foi perentório: “O Green Leaf não termina hoje, começa hoje”. Segundo o autarca, 2026 será “um ano verde por inteiro”, centrado na dimensão ambiental, na qualidade de vida e na preocupação em deixar um território melhor às gerações futuras, sustentado por um vasto programa de iniciativas, projetos e eventos ao longo dos próximos meses.
O presidente destacou ainda a integração de Águeda numa rede europeia de cidades distinguidas, que funcionam como comunidades de partilha de conhecimento e aconselhamento junto da Comissão Europeia, potenciando novas parcerias e candidaturas conjuntas. “Hoje temos mais dificuldade em escolher parceiros do que em encontrá-los, tal é o interesse em trabalhar com Águeda”, revelou.





A dimensão europeia e governamental do evento ficou reforçada com a intervenção do secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, que transmitiu uma mensagem em nome do Governo e do primeiro-ministro. O governante salientou que Águeda demonstra ser possível alinhar crescimento económico, desenvolvimento social e proteção ambiental, através de políticas públicas coerentes e participadas.
“Este é um reconhecimento do trabalho feito, mas também uma responsabilidade para o futuro. Águeda mostrou um percurso, envolveu a comunidade, as pessoas, e é por isso que a União Europeia olhou para este território e disse: merecem esta distinção”, afirmou. João Manuel Esteves reforçou ainda a importância da partilha destas boas práticas com outros municípios portugueses e europeus, sublinhando que Portugal se encontra na linha da frente da transição verde.
O secretário de Estado destacou igualmente o papel das pequenas e grandes ações individuais, defendendo que a sustentabilidade se constrói com o envolvimento das escolas, das instituições, das universidades, das organizações da sociedade civil e de cada cidadão. “Cada um pode contribuir. É essa a mensagem central deste ano Green Leaf”, afirmou, apontando Águeda e Guimarães — Capital Verde Europeia — como dois exemplos nacionais de referência.

Em representação do executivo municipal, o vice-presidente da Câmara, Edson Santos, destacou o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos na requalificação dos rios, das margens fluviais e na proteção da Pateira de Fermentelos, sublinhando que esse percurso foi determinante para a distinção agora atribuída. O autarca lembrou que o galardão inclui também um prémio financeiro, que permitirá reforçar e concretizar novas ações de sensibilização ambiental ao longo do ano.
Edson Santos adiantou que o programa Green Leaf 2026 será construído em estreita articulação com as escolas, eco-escolas, juntas de freguesia, eco-freguesias e diversas entidades locais, garantindo uma abordagem transversal e participada. “Queremos que Águeda continue a ser bem referenciada naquilo que melhor se faz, promovendo o território e a qualidade de vida que temos e que, muitas vezes, não valorizamos devidamente”, afirmou.

O vereador Carlos Filipe reforçou o impacto simbólico da distinção, considerando-a “uma menção incrível” que coloca Águeda ao lado de grandes cidades europeias. Para o autarca, o reconhecimento atesta a qualidade de vida do concelho e reforça a necessidade de cada cidadão assumir o seu papel na proteção do território. “A Câmara estará sempre atenta, mas o contributo de cada um é decisivo para tornar Águeda ainda mais verde”, sublinhou.

Também o presidente da Assembleia Municipal de Águeda, Filipe Almeida, classificou o dia como “um marco histórico” para a cidade e para o concelho, defendendo que todos os aguedenses se devem rever nesta distinção. “Não é todos os dias que assumimos esta função de capital verde europeia. É um dia feliz, mas também um desafio”, afirmou, alertando que o mais difícil será manter os níveis de exigência que conduziram ao reconhecimento europeu.
A cerimónia de abertura do ano European Green Leaf 2026 ficou assim marcada por uma mensagem clara de continuidade, exigência e responsabilidade coletiva, com Águeda a assumir-se como farol europeu na transição verde. Ao longo de 2026, o concelho será palco de um vasto conjunto de iniciativas ambientais, educativas, culturais e comunitárias, num ano que promete afirmar ainda mais Águeda no panorama nacional e europeu da sustentabilidade.


































































