Trabalhadores da Funfrap em greve pela quarta vez este ano

Os trabalhadores da fábrica de metalurgia Funfrap S.A. (grupo Tupy) em Cacia, Aveiro, cumprem hoje uma greve de quatro horas em cada turno, reivindicando a atualização das retribuições, com efeitos a 01 de janeiro.

A nova greve, que decorre hoje e sexta-feira, segue-se às paralisações realizadas nos dias 21 e 23 de junho e é justificada por “não haver avanços concretos nas negociações”.

“A parte do aumento real de salário que nós estamos a pedir é uma coisa diminuta” diz Paulo Silva, da comissão de trabalhadores, queixando-se de falta de diálogo por parte da empresa.

Paulo Silva disse à Lusa que já havia praticamente um acordo de atualização salarial com a direção, que “até era abaixo do valor da inflação”, mas a entidade patronal “recusa-se a fazê-lo com efeitos retroativos” ao início do ano, conforme os trabalhadores reivindicam.

Querem também ver em cima da mesa negocial a atualização dos prémios, alguns dos quais, segundo Paulo Silva, mantêm os mesmos valores de há 20 anos”.

A greve é também contra a precariedade: “temos cerca de 160 trabalhadores precários e temporários que o não são, porque ocupam postos de trabalho efetivos”, diz Paulo Silva, esclarecendo que na fábrica de Cacia, Aveiro, a empresa emprega cerca de 360 pessoas.

João Ribeiro, do Sindicato das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro e Norte (SITE), que marcou presença a apoiar o piquete de greve, disse à Lusa não dispor ainda de números concretos, mas que a adesão está ao nível das greves anteriores, que diz terem tido cerca de 90%.

“Este ano têm sido greves específicas e temos respeitado o desejo e a votação dos trabalhadores em plenário, que têm mostrado que estão aqui dispostos a lutar e as greves que já aconteceram este ano tem tido sempre uma grande adesão”, disse o dirigente sindical.

“Está na mão da empresa a resposta às justas reivindicações dos trabalhadores, que simplesmente reclamam a sua valorização enquanto trabalhadores qualificados e o respeito pelos seus direitos laborais”, conclui aquele sindicato.

A Lusa aguarda a posição da empresa sobre a greve e as reivindicações que a motivam.

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